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Mãe! - Melhor com Spoiler ou sem?


De forma cíclica e otimista, Darren Aronofsky inicia e finaliza seu filme nos mostrando naquele mundo que podemos evitar o nosso destino cruel com uma conscientização coletiva, e que ainda há tempo, mesmo que esse conceito seja humano e breve.

Aronofsky é um daqueles diretores que conseguem usar, de forma bem cinéfila, elementos para se mostrar uma história. Em Mãe! (2017), note que a exclamação é uma parte importante do nome, ele não conta uma história, ele te ajuda a construir uma história que não se finaliza, e permanece em debate, com o fim da projeção. Eu não sei se é melhor assisti-lo já tendo um prévio conhecimento, seja alto ou mínimo, do que está por vir ou se é melhor não ter tido nenhum contato com a trama anteriormente. Eu demorei pra poder ver o filme e tinha tomado um pequeno spoiler da trama, mas pra mim, foi até melhor, pois eu consegui ver todas as referências e analogias. Esse meu texto irá abordar questões importantes sobre o filme, se você não viu e querer ter uma experiência diferente da minha pare a leitura por aqui. Mas retorne assim que assistir, continue o texto e comente ai embaixo o que achou.

É muito bom, mesmo, quando há lançamentos assim que nos trazem a nostalgia de não conhecer nada sobre um filme antes de assisti-lo. Hoje é uma tarefa quase que impossível pros produtores esconder detalhes de suas histórias, e mesmo depois do lançamento há os fãs que rapidamente já colocam na redes sociais os temidos 'spoilers'. Também há os casos de revelação da trama por conta da equipe de Marketing… que aqui não comete esses erros com Mãe!. Todos os trailers e posters lançados anteriormente não davam a real idéia do que estavam por vir. Há alguns detalhes que você consegue pegar num pôster ou outro, mas que percebe só depois de saber do filme. Eu por exemplo, pensava que seria uma refilmagem de ‘O bebê de Rosemary’ de 1968, dirigido por Roman Polansky, com uma aura demoníaca e grande atuação de Mia Farrow no papel da mãe do anticristo.

Na trama temos a personagem de Jennifer Lawrence, que vive com O personagem de Javier Bardem em sua casa tranquila e em construção. Quando eles recebem a visita inesperada de um homem vivido por Ed Harris, que acaba trazendo também sua esposa Michelle Pfeiffer e filhos, a personagem de Jennifer Lawrence vê toda sua tranquilidade e privacidade ser cada vez mais invadida pelos fãs dos seu Marido Escritor.

Aronofsky cria então um mundo fantasioso que é análogo a teoria da criação bíblica para nos passar uma mensagem muito forte. Jennifer Lawrence é a Mãe Natureza, Javier Bardem é Deus, a casa é o nosso planeta e os outros personagens são os homens, que chegam tomando conta da casa, no começo de forma harmoniosa e depois violenta. E o filme dá a justificativa da destruição em cima das palavras escritas por Deus, mas interpretadas de forma individual por cada um, o que lhes dá autonomia para fazerem o que quiserem baseando-se em sua forma de entendimento do poema original.

O filme passa por vários trechos bíblicos, como a chegada de Adão e suas longas caminhadas com Deus, Eva e uma sede incontrolável pelo que lhe é proibido, a disputa trágica entre Caim e Abel, o dilúvio e a renovação. Mas não se fixa só nos trechos bíblicos. Referencia também momentos históricos reais, citando guerras e disputas religiosas ou territoriais, a mudança de pensamento humano e os rumos que nossa espécie tomou. Não vejo como elementos anti-religião o que é mostrado em tela, mesmo em momentos extremamente perturbadores, em especial o banquete sobre o corpo de cristo morto logo ao nascer. É uma visão pessoal de Aronofsky, o que encaixa também com sua obra onde os homens usam suas interpretações pessoais. 


Aronofsky mantém uma de suas características, as câmeras que seguem o protagonista, que se mantém sempre em quadro ou mostram sua visão em primeira pessoa. E sua câmera de mão deixa as cenas com caos muito mais sufocantes.

Mas todos esses elementos não seriam muito se não fosse a atuação incrível de Lawrence. Durante toda a projeção com aquele olhar de dúvida sem saber o que acontece, o que casa com a nossa situação ao assistir, assim nos sentimos muito mais próximos dela. Feito que ajuda nas mensagens repassadas. Por mais que nossas diferenças possam se mostrar justificáveis diante da religião ou crença, temos que ainda prestar atenção ao local onde vivemos, ao planeta que habitamos.

De forma cíclica e otimista, Darren Aronofsky inicia e finaliza seu filme nos mostrando naquele mundo que podemos evitar o nosso destino cruel com uma conscientização coletiva, e que ainda há tempo, mesmo que esse conceito seja humano e breve.


Comentários

  1. Pra mim, foi muito forte. Principalmente a cena do ''repartir o corpo de Cristo'. Muito interessante a ideia do autor de retratar isso sobre uma nova perspectiva, sobre um novo olhar.

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