Se prepara que lá vem 'textão'... tire um tempo pra ler e abstrair as ideias que eu vou jogar na sua caixola... se tiver na correria então vai... e você lê na volta! Mas se ler, comenta e diz o que achou! See you

Jogador Nº 1 - Olha lá o... ali aquele... olha esse... AAAAAA


Parece que, quanto mais os anos passam, mais a nostalgia é reverenciada. E como o meme, todo mundo passou a entender de referências. Hoje todas as obras, para fazerem sucesso tem de carregar junto algum tipo de Easter Egg. Se for alguma continuação ou regravação tem de ter algum elemento do original, virou uma regra. Às vezes até o que não é, passa a ser, pois haverá sempre um olho atento. Brincando com isso o diretor James Gunn colocou em Guardiões da Galáxia (2015) um Easter Egg específico, e ofereceu 100 mil dólares a quem descobrir... o que até hoje não aconteceu e se depender do diretor, não será revelado.

Diante dessa cultura de cultuar o pop-nerd, os games, cinemas e hqs, o escritor Ernest Cline, escreveu e lançou em 2011 o livro Jogador Nº 1. Eu li boa parte do livro e é realmente repleto de referências, mostrando que o próprio Ernest viveu aquilo de forma bem intensa... o que é muito legal, pois mesmo você não pegando uma coisa aqui ou ali, você ainda terá algo que vai dizer “isso aqui eu joguei/vi/brinquei”. O livro foi um sucesso, e os fãs pediam cada vez mais por uma adaptação pro cinema.

Lançada então em 2018, dirigido por ninguém menos que o melhor diretor que poderia representar os anos 80, Steven Spielberg! Me faltam palavras pra descrever a grandiosidade de um dos diretores mais influentes da história. E sem ele, o show de referências e estrutura narrativa não teria a força que mostra no filme. Seriam só personagens de jogos/filmes/hqs jogados na tela sem propósito algum.

A história se passa no ano de 2044, em um mundo distópico que sofre com superpopulação e densidade demográfica altíssima. Seguimos Wade Watts (Tye Sheridan) que, como toda a população, usa do sistema de realidade virtual OASIS pra procurar diversão, conquistas, paixões, enfim… um escape do mundo real. Quando o criador do OASIS morre, ele deixa uma missão a todos os jogadores, aquele que encontrar O Easter Egg será contemplado com o domínio total do OASIS e juntamente sua fortuna real em dinheiro.

O filme alterna entre o mundo real, com atores reais interagindo em cenários reais, e o mundo virtual, criados em computação gráfica com uma qualidade impecável até pros dias de hoje. Quando no mundo virtual, as limitações da física não mais existem, e vemos os personagens voarem e efetuarem manobras com vários momentos “massavéio” em cenas de ação de tirar o fôlego. Mesmo quando saímos do OASIS o ritmo continua frenético, numa aventura nos moldes dos anos 80, com uma corporação “maligna” querendo dominar o mundo, e sendo enfrentada por um grupo de jovens que se dizem a resistência.

Na verdade a corporação ‘do mal’ nada mais tem do que uma motivação do mercado, até justificável. Os jogadores vivem lutando para conseguir novos feitos dentro do jogo, o que lhes proporciona subir também de nível na vida real. Um personagem que tem muito dinheiro no OASIS, consegue converter esse dinheiro na vida real. É uma sacada muito boa dos roteiristas, pois cria situações em que os jogadores se limitam a fazer tais ações com receio de perderem vida dentro do jogo. Muito boa também é a sacada de ver o personagem, diante de um membro arrancado, ‘sangrar’ moedas e se desesperar por perder recursos.

É impossível ver todas as referências assistindo ao filme somente uma vez. Há cenas em que cada quadrante da tela tem N personagens. Video Game, Filmes, Seriados japoneses, Revistas em quadrinhos, tem muita coisa lá que foi colocada por todos os animadores. Há não só personagens, mas também objetos. Algumas referências se tornam mais importantes que as outras pra trama, mas as pequenas também podem deixar os espectadores felizes. Eu quase chorei de prazer ao ver a Santa Granada de Mão do filme Monty Python Em busca do Cálice Sagrado. Se há uma palavra pra descrever a quantidade de referências mostradas é êxtase!


Enfim, Jogador Número Um é um colírio para os olhos de quem cresceu nos anos 80/90/00, e mesmo pra quem nasceu depois e gosta do que foi lançado nessa época da cultura pop. Efeitos especiais e trilha sonora nível Spielberg de qualidade. Que no final nos deixa feliz como o Spielberg sempre faz. Pode não ser seu melhor trabalho, mas é uma diversão garantida! Na publicação deste texto não está mais em cartaz no cinema, mas assim que sair em DVD/Bluray/Streaming, vale a pena ver e rever e ver de novo e de novo.


"…E falou o Senhor, dizendo: “Tu primeiro deves tirar o Santo Pino, e então deves contar até três, nem mais, nem menos. Três deve ser o número que contarás, e o número da contagem deve ser três. Quatro tu não contas, nem tu deves contar dois, com exceção de que proceda o três. Cinco está fora. Assim que o número três, sendo o terceiro número a ser alcançado, for contado, então deves lançar a Santa Granada de Mão de Antioquia para o teu inimigo, que sendo desobediente aos Meus olhos, deve ser apagado” - Livro de Armamentos, capítulo 2, versículo 9-21

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