Se prepara que lá vem 'textão'... tire um tempo pra ler e abstrair as ideias que eu vou jogar na sua caixola... se tiver na correria então vai... e você lê na volta! Mas se ler, comenta e diz o que achou! See you

Oscar 2018 - Me Chame Pelo Seu Nome


Só os mais atrasados e involuídos não consideram toda forma de amor válida. Não uso esse texto como miĺitancia, mesmo por que a realidade já é bem estabelecida e, contrariando os textos de Whatsapp ou falácias em rodas de conversa, sempre foi assim e sempre será! O problema é que ainda pouco se vê obras como esta, que falam sobre paixão e amor divulgadas pro 'grande público', seja por falta de interesse pelo mesmo ou por excesso de críticas sem fundamento que diminuem o acesso a tais obras. Eis aqui um belo exemplo de um filme que mostra uma história de amor verdadeira, que deveria ser vista por todos, pois não levanta bandeiras e nem quebra paradigmas, mas simplesmente mostra o carinho e afeto entre duas pessoas que, em meio a suas poucas diferenças, se unem em prol de sua paridade e semelhança.



O Jovem Elio, está passando as férias de verão, junto com sua família, discretamente judia, no norte da Itália em 1983. Ele, um músico excepcional, que passa os dias transcrevendo músicas, lendo livros, e apesar de ter contato com outros jovens locais, mantêm uma certa solidão por causa da rotina.
O pai de Elio, Sr. Perlman é professor e oferece hospedagem, para trabalhos e estudos, ao Acadêmico Oliver. Ele, também judeu e dono de uma certa arrogância por sua inteligência, logo desperta a curiosidade dos locais pelo seu estilo despojado e jovial.

Elio no começo se sente um pouco desconfortável e ciumento pelo estilo de Oliver. Mas com o tempo começa a perceber que Oliver é uma representação do que ele gostaria de ser. Estiloso, declaradamente judeu, que viaja sozinho para estudar, curte as baladas oitentistas e encanta as garotas locais. Isso desperta no jovem uma pequena paixão pelo rapaz mais velho, que aumenta ao descobrir devido a pequenas dicas que essa paixão é recíproca. Paixão que aumenta e leva a um caso de amor de verão, daqueles que tem data pra terminar, mas que será marcante pra vida toda.

Os dois sabem disso, e decidem aproveitar ao máximo o tempo juntos. Andam de bicicleta, nadam juntos, descobrem lugares novos, dançam nas ruas desertas. Mas acima de tudo se escondem, e tentam esconder o quão felizes estão por ter um ao outro.

Me Chame pelo seu Nome é um filme belo. O Diretor Luca Guadagnino usa longas tomadas pra mostrar a rotina maçante de Elio, nas belíssimas paisagens da Itália. O filme pode parecer arrastado, mas é feito de pequenos detalhes, que nos conduzem ao relacionamento amoroso. Desde a trilha sonora que mostra a emoção de Elio até a camêra que se mantém longe no começo do filme, pra mostrar a distância entre eles, e que com o passar das cenas vai se aproximando cada vez mais e unindo os dois em planos cada vez menores, chegando ao ponto de ficar sem foco pela proximidade do casal na cama. Há uma linda sequência em que Elio passa o dia com sua atenção no relógio, pois sabe que em determinada hora irá se encontrar com Oliver. 

Timothée Chalamet (Elio) faz um trabalho excepcional e igualmente excepcional é sua química com Armie Hammer (Oliver). Chalamet cresce seu personagem durante a projeção, pegando trejeitos do amado e até passando a se vestir igual, carrega a leveza daquele romance e o peso de saber que há uma data limite. Acabamos torcendo pros dois ficarem juntos, mas eis a mensagem do filme... viva cada momento, aproveite cada instante, a vida é feita de pequenas felicidades então se doe por completo agora, você ainda terá condições e oportunidades de se doar novamente depois.

A história, mesmo focada nos dois personagens, não existiria sem um fator importantíssimo… a família de Elio. A Mãe (Amira Casar) apesar de parecer bem liberal é religiosa, a ponto de tampar um símbolo religioso com a mão, em sinal de respeito, quando traga um cigarro. O Pai (Michael Stuhlbarg) recebe vários amigos em casa, prega sempre o respeito por todos sejam estrangeiros ou homossexuais. E detêm um dos melhores discursos finais em filmes com esse tema. É um discurso realmente emocionante, com uma mente aberta, sincera e acolhedora. Eu gostaria que vários amigos meus pudessem ter pais com esse pensamento, aliás não só amigos meus, mas várias pessoas deveriam ouvir tais palavras de seus progenitores. Enfim, lágrimas no final e vontade de passar essa mensagem pra frente.

Assista Me Chame pelo Seu Nome, ainda que algumas cenas sejam desnecessárias (nunca mais verei pêssegos com os mesmos olhos), nada ali é gratuitamente jogado pra nos fazer sentir desconforto. É uma história em que se pode encaixar qualquer tipo de casal... de etnias, sexos ou cores... diferentes e/ou iguais. 

Nota 8/10


Comentários

  1. Opa! Gostei muito do seu texto, uma delícia de ler! Mas acho que você exagerou nos detalhes do filme, contou demais!

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