Cinquenta Tons de Liberdade... ou 2 coelhos ricos e um pote de sorvete!
Terceiro, e espero que seja o último, episódio da franquia '50 Tons' chega aos cinemas, com uma história cheia de pequenos plots e cenas de sexo, mostrando como se segue a vida da 'inocente' Anastasia (Dakota Johnson) depois de realizar o seu sonho maior, casar-se com o multibilionário Christian Grey (Jamie Dornan), em um filme raso que não acrescenta em nada e se recebesse pequenos cortes, poderia se encaixar perfeitamente no terceiro ato do segundo filme, Cinquenta Tons Mais Escuros.
Neste, seguimos com o casamento dos 'pombinhos' apaixonados Christian e Anastasia. Após uma lua de mel quase perfeita, retornam para sua vida, agora um pouco conturbada pela 'perseguição' do ex-chefe de Anastasia, e tem de enfrentar os problemas que casais recém casados enfrentam, como voltar ao trabalho e alterar o nome no e-mail, gerenciar a casa, o perigo da traição ou a iminente gravidez… já que eles fazem sexo o tempo todo.
Eu, claramente não sou fã da franquia e sempre me mostrei contrário as ideias repassadas, fiquei incomodado com a quantidade de pequenos plots há nesse filme… e ele não se foca em nenhum, todos começam e terminam em poucos minutos e quase sempre finalizam com uma cena de sexo 'video clip' entre o Sr. e a Sra. Grey… cenas que não são ruins e melhoraram nesse terceiro filme ficando mais 'bonitas' visualmente, mas que não acrescentam em nada. Os mesmos elementos de sempre são mostrados aqui:
- Anastasia faz algo ou acontece algo entre os dois
- Christian leva Anastasia para algum lugar onde ele dá mais uma demonstração do poder aquisitivo dele
- ela se mostra - pela milésima vez - impressionada e se pergunta 'como ele conseguiu comprar aquilo?'
- os dois se abraçam e se beijam apaixonados em uma montagem mostrando como é lindo o lugar/objeto que ele comprou
- sexo, que era pra parecer selvagem, mas cheio de toques leves em uma Anastasia com cara de medo, e depois de um rápido 'papai e mamãe', ela fica com cara de satisfeitíssima e os dois dormem.
- Eles acordam e seguem para o trabalho....
- Anastasia faz algo ou acontece algo entre os dois
É impressionante... a moça namora o cara mais rico da cidade, que tinha lhe dado vários presentes caros, a ensinou a fazer sexo, comprou a empresa onde ela trabalha, tinha um helicóptero pessoal, e mesmo depois de se casar com ele, faz cara de surpresa ao ver que ele comprou um jatinho - num CGI horrível. E novamente ele repete o mesmo chavão 'eu comprei'.
O filme promete ser mais tenso que os outros com o caso do ex-patrão de Ana, que consegue invadir o escritório de Grey, roubar informações secretas e colocar uma bomba dentro do servidor principal - enquanto o casal principal faz sexo. Sério que o cara mais rico da cidade tem uma segurança porca assim? Fora que os próprios seguranças pessoais, não passam segurança alguma, sempre andando muito a frente dos seus protegidos e nunca olhando pra trás. O problema é que a segurança é efetiva, pois o 'vilão' do filme não é tão inteligente assim. Faz tentativas falhas de intimidar o casal principal. Sem contar que o plano dele nunca daria certo. Mas o pior de tudo é a revelação da motivação do vilão, é quase uma comédia.
Só esse arco ocuparia uns 15 minutos, então o resto do filme é ocupado com situações que não levam crescimento a nenhum personagem. Só há uma alteração de personalidade, com o Christian Grey aceitando algo que ele não aceitava. O resto dos personagens começam no ponto A… e ali permanecem… fazendo sexo!
Aliás, eu falei do sexo? Que durante toda franquia prometia algo 'selvagem' e sujo, como se a prática BDSM fosse uma doença. Então… aqui nada é acrescentado de novo, parece que as surpresas do Sr. Grey acabaram.
A maioria do público vê o filme por causa disso. Mas eu nunca vi a franquia como sendo uma franquia pornográfica. Pra mim '50 Tons' não é sobre sexo, não é uma história focada nisso. Aqui o sexo é uma ferramenta - muito mal usada - pra contar uma história, por isso não se limite a só pensar 'naquilo' quando conversa sobre. E nem limite seus pensamentos por uma história 'bonitinha' que esconde elementos perversos. É uma história extremamente machista, misógina e preconceituosa. Que vai contra a toda uma batalha vivida dia-a-dia pelas mulheres em todas as classes sociais. Anastasia é uma moça pobre, sem auto-estima, atrapalhada e conservadora - que tem amigas que nunca passariam no Teste de Bechdel - que não se cuida bem e tem a oportunidade de conhecer um homem belo, intimidador, possessivo e rico que lhe coloca num pedestal e a exalta fazendo com que ela vença na vida, recupere a auto-estima e realize seus sonhos… mas só por causa que ele permitiu isso. Aqui, o contrato é usado como a ideia do consentimento, mas é absurdo a forma como é mostrada, pois não há. Ele não diz pra ela o que vai fazer, é um rapaz mimado e mal criado, que persegue sua 'propriedade' e a limita pro seu prazer. Anastasia não consegue evoluir sem a presença de Grey. No terceiro filme ela se mostra mais decidida em suas ações, tudo por causa do poder que lhe é dado pelo próprio Grey. Ou seja, ela só se torna forte, por que ele permitiu… simples, tão simples quanto ele poderia deixá-la fraca - e muitas vezes o fez durante os filmes - quando quisesse. E você pode querer debater dizendo que ela mudou ele, ela não mudou ele… ele se moldou pra ela, mas a essência dos dois continuam… só que ela agora é rica… e faz sexo.
Nota do filme 4 de 10
Nota da Franquia 2,5 de 10
Ps. Usei a palavra sexo em todos os parágrafos.
Ps 2. Práticas sexuais não são erradas ou doentias se praticadas com consentimento, respeito e privacidade.






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